Falando um
pouco de mim, devo dizer que não sou perfeito. Possuo ainda alguns defeitos que
fazem com que minha evolução se retarde. Mas, ainda assim, sou um ser em
evolução como qualquer criatura de Deus. Nem melhor, nem pior. Portanto, se um dia
me virem na rua soltando algum palavrão, dos quais ainda não me livrei, ou
tendo alguma atitude de impaciência e destempero, não se espantem.
Creio que
os meus maiores defeitos sejam a impaciência e a intolerância em relação às
pessoas que se fazem de desentendidas. Sou até capaz de lutar com vontade pelo
que acredito, mas até certo limite, depois, vendo que estou sozinho na luta,
costumo diminuir o ritmo até conseguir nova oportunidade de colocar em prática
os meus ideais. Isso já exacerba a minha impaciência, a frustração e a
decepção, principalmente em relação às pessoas que acreditava serem pessoas
voltadas para o mesmo objetivo que eu e que no meio da caminhada demonstram que
não estão dispostas ou preparadas de coração, mas somente na teoria.
Creio,
ainda, que um dos meus maiores erros é mergulhar de cabeça em propostas que a
princípio parecem boas e ser convencido facilmente com uma boa argumentação e demonstração
(falsa) de boa vontade. Pena que eu só consiga descobrir isso depois que já me
envolvi o suficiente para me comprometer. E a partir do momento em que tomo a
atitude de desistir, sobretudo em relação a algum trabalho voltado para o bem,
no qual vejo que resultará em fracasso e comprometimento maior se insistirmos
em prosseguir (pelo menos da maneira como está sendo feito), o
comprometimento é todo meu em relação às minhas atitudes. Em relação aos
outros participantes que venham a ser causadores do fracasso, o comprometimento
é deles em relação à atitude deles. E a responsabilidade é geral em relação ao
grupo.
Um irmão,
certa ocasião disse (não sei se palavras dele mesmo ou se retirou de algum
escrito, por isso não vou mencionar) que nós não sabemos o que é o amor
verdadeiro, que não sabemos amar. Quando muito, sabemos querer bem. E concordo com
isso. É muito difícil amarmos sem desprendimento algum ou sem exigências, face
ao nosso orgulho exacerbado que faz com que exijamos que as pessoas a quem
deveríamos amar se comportem de tal ou qual maneira, ao nosso gosto, sob pena
de deixarem de ser “amadas”, num total desrespeito à individualidade e livre
arbítrio de cada um.
Acabei de
ouvir, nesse instante, pela Rádio Rio de Janeiro-1400AM, um trecho de Emmanuel
que diz exatamente o que estou falando, dizendo mais ou menos assim: “que toda
desarmonia no grupo voltado para o trabalho no bem, deve ser jogado a conta da
responsabilidade de si mesmo e que o único jeito de evitar isso é seguir o “Amar
ao próximo como a si mesmo”.
Recentemente
me envolvi em uma situação em que, mais do que ajudar, acabei por prejudicar.
Apesar de toda a orientação, respeito e carinho que procurei dar à pessoa,
estendendo a mão e aconselhando a tomar atitudes mais positivas, a pessoa
demonstrou estar mais interessada em receber tudo em mãos do que “correr atrás”
de seus objetivos. Isso ocasionou uma certa acomodação. No princípio procurei
me manter paciente, na expectativa de que a pessoa despertasse, mas isso não
ocorreu, apesar das constantes conversas e orientações e criação de
oportunidades. Como visse que a pessoa não tinha interesse em se melhorar, fui
obrigado a tomar atitudes que me desagradaram sobremaneira, visto que não são
atitudes que gosto de tomar em relação às pessoas. Passei, então, a ser mais
exigente, às vezes até um pouco ríspido, pois assim percebi que a pessoa se
tocava. Cortei as “mordomias” e vantagens que, por pena, estava dando. Isso fez
com que a pessoa começasse a se afastar gradativamente, visto que não estava
mais encontrando facilidades. Atualmente, fiquei sabendo que esta pessoa está
trabalhando e aguardando, através de um projeto social, o qual procurou depois
de muita insistência minha, material para construção de uma casa em terreno
cedido por um parente. Disso tudo podemos tirar aspectos positivos e negativos.
Positivo, porque serviu de experiência para mim e de alguma forma houve uma mudança
de comportamento na pessoa em questão. Ao menos, uma pessoa, que pelo que eu
soube e demonstrou, nunca gostou de pegar no batente, hoje (pelo menos pelo que
fui informado) está trabalhando para garantir o seu sustento. O lado negativo
disso tudo é que no início do atendimento desta pessoa, tudo foi tratado através
de um grupo que se denominava espírita, e depois esse mesmo grupo tratou com
preconceito a “assistida”, em função de um passado obscuro desta pessoa. Em
função disso, ela foi cotada à conta de uma pessoa desprezível e que deveria
ser descartada do atendimento. Não que eu esteja me vangloriando, mas eu
continuei apostando, ainda que sozinho, as minhas fichas e isso me trouxe
muitos transtornos e até problemas de saúde. Para finalizar a ilustração do
lado negativo da coisa, esta pessoa não quer nem ouvir falar de espiritismo ou
de espíritas. É por isso que, não só espíritas, mas qualquer pessoa que diga
representar a religião que professa, deve ter cuidado com suas atitudes, sob
pena de denegrir a imagem da sua religião. Atualmente tenho até receio de me
denominar espírita, já que não consigo ainda ter um comportamento adequado à
grandiosidade dessa Doutrina tão maravilhosa e esclarecedora. Dizer-se espírita
é uma responsabilidade muito grande, assim como dizer-se católico ou
evangélico. Mais responsabilidade ainda é dizer-se cristão.
Por outro
lado, voltando ao lado positivo, recebi um casal que também bateu à minha porta
solicitando ajuda, e, já com a experiência adquirida com o fato acima descrito,
pois estava ainda no meio de toda a confusão inicial, e com receio de cometer o
mesmo erro, limitei-me a convidar o casal a comparecer à minha casa fazendo uma
entrevista e recolhendo seus dados, fazendo duas visitas ao endereço desse
casal, sob pretexto de levar o leite de soja arrecadado entre amigos para o
bebê que é alérgico à lactose, constatei que realmente o casal de jovens
passava por sérias dificuldades face ao desemprego do rapaz. Elaborei um
relatório e encaminhei à uma instituição que faço questão de divulgar. Trata-se
do Lar Fabiano de Cristo, Instituição Espírita que promove o resgate das
pessoas e famílias, através das diversas faixas de atendimento em todo o país.
Pois bem, recentemente fui informado pelo Assistente Social da referida instituição
que a família em questão foi adotada e está sendo assistida.
O
interessante é que no caso anterior também encaminhei a pessoa para a mesma
instituição e, não sei o porquê, não foi possível o seu atendimento. Talvez por
algum ruído de comunicação ou por falta de um endereço fixo, pois esta vivia
invadindo e sendo expulsa de terrenos, até eu acolhê-la em meu quintal. Isso
mesmo, em meu quintal, num cômodo onde só era possível dormir e isso tudo com
uma criança de dez anos.
Em resumo,
apesar das trapalhadas iniciais, descobri que eu estava no caminho certo, mas com
atitudes erradas. Não posso agir como se eu fosse uma instituição de
beneficência, pois eu não sou, embora seja um sonho. Não tenho estrutura para isso. Gostaria muito de
poder ter dado continuidade ao trabalho que havia se iniciado, mas não foi possível por diversos fatores, sobretudo os aqui mencionados.
Que Deus me
ajude e possa me dar sabedoria para não cair nas armadilhas do caminho.
Se quiserem
saber mais sobre o Lar Fabiano de Cristo visite o site www.lfc.org.br.
Que Deus
abençoe a todos
Esclareço que o atendimento à família mencionada nesta postagem não ocorreu da forma como eu falei. A família, na realidade, não foi adotada, mas recebeu um pequeno auxílio em suas necessidades emergenciais. Esclareço que o Lar Fabiano de Cristo é uma instituição séria e que atua em todo o país, mas não atua, em Araruama, na faixa de atendimento e assistência integral à família. O trabalho que eles realizam em Araruama é diferente e extremamente importante. Provavelmente entendi de forma errada o que me foi dito. Não tive mais contato com o Assistente Social da entidade para saber que houve realmente. É uma pena, pois achei que havia encontrado um meio de ajudar algumas pessoas quando surgisse a oportunidade e não estivesse ao meu alcance ajudar de maneira adequada.
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