Antes de tudo, deixo claro que o que segue abaixo é um entendimento meu, particular. A forma como vejo as coisas. É assim que eu penso. Pois bem, não negando a influência da Doutrina Espírita nisso tudo, reafirmo que este pensamento é meu. Não estou falando em nome do Espiritismo.
Estava raciocinando sobre a presença de Satanás em nossas vidas. Independente de religião, eu creio que se Deus criou todas as coisas (sem exceção), criou também o que chamamos de Satanás. Trata-se, então, de criatura de Deus que se perdeu em sua caminhada evolutiva. Não consigo conceber que Deus tenha criado um ser voltado exclusivamente para o mal e em condições de igualdade na disputa com Ele entre as virtudes e os defeitos. Creio que Deus, na sua misericórdia, um dia dará um basta, causando o retorno dessa criatura ao caminho reto da evolução, pois creio que Deus não perderá nenhum dos seres de Sua criação. Se não for pelo arrependimento, como na parábola do filho pródigo, será da forma mais adequada segundo a vontade, ou se preferirem , o Poder de Deus, que pode todas as coisas.
Pois bem, vejo algumas religiões que proclamam muito a influência de Satanás nas nossas atitudes. Pessoas que vão ao púlpito das Igrejas, com poderes de influenciar e formar opinião, e falam mais de Satanás do que de Jesus e da influência Dele em nossas vidas.
Na verdade, esse ser que chamamos Satanás atua em nossas vidas porque permitimos. Ele busca, nas nossas tendências, onde influenciar. Se tivermos tendência para o crime, ele nos influenciará a cometê-los. Se não tivermos, ele não terá como influenciar. E assim acontece com as drogas, as bebidas, os excessos do sexo, etc. Ele só atua onde encontra brecha para atuar.
Creio que Satanás não se trata de um único ser, mas diversos deles, perdidos na jornada evolutiva, que se agrupam pela afinidade, ganhando forças de atuação ante as nossas tendências negativas. No dia em que, na Terra, todos estiverem libertos de suas tendências negativas, entre elas o egoísmo, filho do orgulho, o grupo Satanás não terá mais a quem influenciar e baterá em retirada, não obstante terem o direito de serem resgatados a qualquer tempo, segundo a vontade e limites impostos pelo Criador. O problema é que ainda estamos muito distantes de sermos só virtudes. Então, vivemos sim sob a influência de Satanás.
O Evangelho de Jesus é um código de ética e conduta que se fosse seguido em sua essência evitaria o surgimento de tantos males. O problema é que em nome da religião e de interpretações, muitas vezes equivocadas, as pessoas estão se afastando umas das outras, como se existisse um Deus para cada religião. O grande problema é que diante da notícia de que Deus nos fez à sua imagem e semelhança, dentro da nossa pequenez de entendimento, orgulhosamente invertemos e transformamos Deus em um ser à nossa imagem e semelhança, vingativo, ciumento, parcial, com todos os sentimentos típicos do egoísmo humano. Um dia chegará em que, na Terra, o entendimento de Deus será único e o verdadeiro amor se espalhará por toda a sua face.
Jesus combatia incansavelmente os fariseus de sua época, chamando-os de hipócritas, em função de suas práticas exteriores, enquanto que por dentro só pensavam em si mesmos. Jesus não trouxe ensinamentos para eles, que se julgavam acima de todas as coisas. Jesus, pelo contrário, trouxe seus ensinamentos e era seguido pelos mais humildes, resgatando muitos deles. No seu rol de seguidores, encontraremos ex-prostitutas, ex-ladrões, cegos, aleijados, pobres, estropiados de toda sorte. Seus apóstolos eram simples pescadores. Temos notícias até de um Publicano, considerado um ser da pior espécie, que se transformou diante da presença do Cristo de Deus. E que falar de Saulo de Tarso que combateu o Cristianismo com toda a força do seu entendimento e de sua cultura? O que Jesus fez com ele? O que falar dos Samaritanos, que na época também eram considerados seres da pior espécie, quando Jesus os compara a um Sacerdote e um Levita na parábola do bom Samaritano?
O que vejo hoje em dia são os Fariseus modernos, que se julgam seres privilegiados da criação, que gostam de ostentar as suas riquezas materiais conquistadas e que quando uma pessoa em sofrimento adentra a porta de determinados templos religiosos em busca de auxílio e orientação, são tratadas com relativo desprezo porque não estão vestidos com roupas no mínimo novas. Agem como se a riqueza material fosse mais importante do que a riqueza espiritual. Existem pessoas que são paupérrimas e vivem no coração todo o sentimento do amor ao próximo pregado por Jesus e são felizes. Não possuem nenhuma mácula, ao passo que alguns vivem enfiados dentro de um templo religioso e trazem a mácula de um passado cheio de podridão e, ainda que estejam arrependidos, por que serão privilegiados por Deus em detrimento daquele que traz no coração a pureza d’alma mesmo sendo pobres? Em que parte do Evangelho Jesus disse que deveríamos ter dinheiro para alcançarmos o Reino de Deus, se ele determinou que fosse dado aos pobres o dinheiro arrecadado por Judas? Nunca se ouviu dizer que Jesus fizesse reservas de dinheiro ou que tivesse construído templos suntuosos para prática de religião de qualquer espécie. Jesus pregava a prática do amor ao próximo em toda a sua simplicidade e aqueles que tiveram ouvidos para ouvir e olhos para verem, ouviram e viram. Não condeno a riqueza ou quem a possui. O mal não está na riqueza, mas no uso que fazemos dela, podendo se tornar motivo de desgraça para aqueles que não estão preparados para tê-la. Temos muitos exemplos disso.
Sei que muitos não irão concordar com tudo o que foi dito por mim, mas me reservo ao direito de ter o direito de pensar assim. Quem poderá dizer que estou completamente errado ou completamente certo? Somos todos seres imperfeitos e cheios de defeitos. Felizes são aqueles que são capazes de mudar de opinião quando descobrem que estão errados. O fato é que, errado ou certo, estou buscando a compreensão, pelo raciocínio, do que me foi trazido ao conhecimento. Façam o mesmo.
Deus abençoe a todos.
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