sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Falando um pouco de mim


Falando um pouco de mim, devo dizer que não sou perfeito. Possuo ainda alguns defeitos que fazem com que minha evolução se retarde. Mas, ainda assim, sou um ser em evolução como qualquer criatura de Deus. Nem melhor, nem pior. Portanto, se um dia me virem na rua soltando algum palavrão, dos quais ainda não me livrei, ou tendo alguma atitude de impaciência e destempero, não se espantem.

Creio que os meus maiores defeitos sejam a impaciência e a intolerância em relação às pessoas que se fazem de desentendidas. Sou até capaz de lutar com vontade pelo que acredito, mas até certo limite, depois, vendo que estou sozinho na luta, costumo diminuir o ritmo até conseguir nova oportunidade de colocar em prática os meus ideais. Isso já exacerba a minha impaciência, a frustração e a decepção, principalmente em relação às pessoas que acreditava serem pessoas voltadas para o mesmo objetivo que eu e que no meio da caminhada demonstram que não estão dispostas ou preparadas de coração, mas somente na teoria.

Creio, ainda, que um dos meus maiores erros é mergulhar de cabeça em propostas que a princípio parecem boas e ser convencido facilmente com uma boa argumentação e demonstração (falsa) de boa vontade. Pena que eu só consiga descobrir isso depois que já me envolvi o suficiente para me comprometer. E a partir do momento em que tomo a atitude de desistir, sobretudo em relação a algum trabalho voltado para o bem, no qual vejo que resultará em fracasso e comprometimento maior se insistirmos em prosseguir (pelo menos da maneira como está sendo feito), o comprometimento é todo meu em relação às minhas atitudes. Em relação aos outros participantes que venham a ser causadores do fracasso, o comprometimento é deles em relação à atitude deles. E a responsabilidade é geral em relação ao grupo.

Um irmão, certa ocasião disse (não sei se palavras dele mesmo ou se retirou de algum escrito, por isso não vou mencionar) que nós não sabemos o que é o amor verdadeiro, que não sabemos amar. Quando muito, sabemos querer bem. E concordo com isso. É muito difícil amarmos sem desprendimento algum ou sem exigências, face ao nosso orgulho exacerbado que faz com que exijamos que as pessoas a quem deveríamos amar se comportem de tal ou qual maneira, ao nosso gosto, sob pena de deixarem de ser “amadas”, num total desrespeito à individualidade e livre arbítrio de cada um.

Acabei de ouvir, nesse instante, pela Rádio Rio de Janeiro-1400AM, um trecho de Emmanuel que diz exatamente o que estou falando, dizendo mais ou menos assim: “que toda desarmonia no grupo voltado para o trabalho no bem, deve ser jogado a conta da responsabilidade de si mesmo e que o único jeito de evitar isso é seguir o “Amar ao próximo como a si mesmo”.

Recentemente me envolvi em uma situação em que, mais do que ajudar, acabei por prejudicar. Apesar de toda a orientação, respeito e carinho que procurei dar à pessoa, estendendo a mão e aconselhando a tomar atitudes mais positivas, a pessoa demonstrou estar mais interessada em receber tudo em mãos do que “correr atrás” de seus objetivos. Isso ocasionou uma certa acomodação. No princípio procurei me manter paciente, na expectativa de que a pessoa despertasse, mas isso não ocorreu, apesar das constantes conversas e orientações e criação de oportunidades. Como visse que a pessoa não tinha interesse em se melhorar, fui obrigado a tomar atitudes que me desagradaram sobremaneira, visto que não são atitudes que gosto de tomar em relação às pessoas. Passei, então, a ser mais exigente, às vezes até um pouco ríspido, pois assim percebi que a pessoa se tocava. Cortei as “mordomias” e vantagens que, por pena, estava dando. Isso fez com que a pessoa começasse a se afastar gradativamente, visto que não estava mais encontrando facilidades. Atualmente, fiquei sabendo que esta pessoa está trabalhando e aguardando, através de um projeto social, o qual procurou depois de muita insistência minha, material para construção de uma casa em terreno cedido por um parente. Disso tudo podemos tirar aspectos positivos e negativos. 

Positivo, porque serviu de experiência para mim e de alguma forma houve uma mudança de comportamento na pessoa em questão. Ao menos, uma pessoa, que pelo que eu soube e demonstrou, nunca gostou de pegar no batente, hoje (pelo menos pelo que fui informado) está trabalhando para garantir o seu sustento. O lado negativo disso tudo é que no início do atendimento desta pessoa, tudo foi tratado através de um grupo que se denominava espírita, e depois esse mesmo grupo tratou com preconceito a “assistida”, em função de um passado obscuro desta pessoa. Em função disso, ela foi cotada à conta de uma pessoa desprezível e que deveria ser descartada do atendimento. Não que eu esteja me vangloriando, mas eu continuei apostando, ainda que sozinho, as minhas fichas e isso me trouxe muitos transtornos e até problemas de saúde. Para finalizar a ilustração do lado negativo da coisa, esta pessoa não quer nem ouvir falar de espiritismo ou de espíritas. É por isso que, não só espíritas, mas qualquer pessoa que diga representar a religião que professa, deve ter cuidado com suas atitudes, sob pena de denegrir a imagem da sua religião. Atualmente tenho até receio de me denominar espírita, já que não consigo ainda ter um comportamento adequado à grandiosidade dessa Doutrina tão maravilhosa e esclarecedora. Dizer-se espírita é uma responsabilidade muito grande, assim como dizer-se católico ou evangélico. Mais responsabilidade ainda é dizer-se cristão.

Por outro lado, voltando ao lado positivo, recebi um casal que também bateu à minha porta solicitando ajuda, e, já com a experiência adquirida com o fato acima descrito, pois estava ainda no meio de toda a confusão inicial, e com receio de cometer o mesmo erro, limitei-me a convidar o casal a comparecer à minha casa fazendo uma entrevista e recolhendo seus dados, fazendo duas visitas ao endereço desse casal, sob pretexto de levar o leite de soja arrecadado entre amigos para o bebê que é alérgico à lactose, constatei que realmente o casal de jovens passava por sérias dificuldades face ao desemprego do rapaz. Elaborei um relatório e encaminhei à uma instituição que faço questão de divulgar. Trata-se do Lar Fabiano de Cristo, Instituição Espírita que promove o resgate das pessoas e famílias, através das diversas faixas de atendimento em todo o país. Pois bem, recentemente fui informado pelo Assistente Social da referida instituição que a família em questão foi adotada e está sendo assistida.

O interessante é que no caso anterior também encaminhei a pessoa para a mesma instituição e, não sei o porquê, não foi possível o seu atendimento. Talvez por algum ruído de comunicação ou por falta de um endereço fixo, pois esta vivia invadindo e sendo expulsa de terrenos, até eu acolhê-la em meu quintal. Isso mesmo, em meu quintal, num cômodo onde só era possível dormir e isso tudo com uma criança de dez anos.

Em resumo, apesar das trapalhadas iniciais, descobri que eu estava no caminho certo, mas com atitudes erradas. Não posso agir como se eu fosse uma instituição de beneficência, pois eu não sou, embora seja um sonho. Não tenho estrutura para isso. Gostaria muito de poder ter dado continuidade ao trabalho que havia se iniciado, mas não foi possível por diversos fatores, sobretudo os aqui mencionados.

Que Deus me ajude e possa me dar sabedoria para não cair nas armadilhas do caminho.

Se quiserem saber mais sobre o Lar Fabiano de Cristo visite o site www.lfc.org.br.

Que Deus abençoe a todos

Um comentário:

  1. Esclareço que o atendimento à família mencionada nesta postagem não ocorreu da forma como eu falei. A família, na realidade, não foi adotada, mas recebeu um pequeno auxílio em suas necessidades emergenciais. Esclareço que o Lar Fabiano de Cristo é uma instituição séria e que atua em todo o país, mas não atua, em Araruama, na faixa de atendimento e assistência integral à família. O trabalho que eles realizam em Araruama é diferente e extremamente importante. Provavelmente entendi de forma errada o que me foi dito. Não tive mais contato com o Assistente Social da entidade para saber que houve realmente. É uma pena, pois achei que havia encontrado um meio de ajudar algumas pessoas quando surgisse a oportunidade e não estivesse ao meu alcance ajudar de maneira adequada.

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