Antes
do filme A Cabana entrar em cartaz na minha cidade, assisti ao trailer e também
li alguns comentários acerca dos perigos que o filme poderia oferecer,
inclusive no tocante ao filme apresentar uma mulher como sendo a figura de Deus,
já que Deus não teria sexo. Isso aguçou minha vontade de assisti-lo, pois não
poderia tecer comentários ou criticá-lo negativamente sem antes conhecê-lo,
coisa que a maioria das pessoas faz. Ressalto que não cheguei a ler o livro,
mas pretendo fazê-lo tão logo possa.
Pois
bem, o filme conta a história de uma pessoa, Mack (Sam Worthington), e sua
experiência com a divindade. Mack, quando menino, sofria com os mau tratos que
seu pai impunha à sua mãe e, um dia, orientado por uma vizinha que o acolheu em
um dos momentos em que seu pai agredia sua mãe, buscou a ajuda de Deus. Na
igreja que frequentava com a família, procurou o pastor e pediu perdão a Deus
por não poder ajudar a mãe, revelando o que o pai fazia quando estava
alcoolizado. Isso lhe custou uma surra durante uma noite inteira, levando-o a
decidir envenenar o pai.
Adulto,
Mack constituiu família, tornou-se pai amoroso e, em um passeio com os três
filhos em um acampamento, a menorzinha desapareceu. Mack não tinha um
relacionamento muito íntimo com Deus, ao contrário de sua esposa que o tratava
por “Papai” e dirigia-se a Deus com a intimidade com que se dirigiria a um pai
querido.
Com
o desaparecimento da filha e a constatação de que fora raptada e morta, Mack
entrou em estado de tristeza, bem como sua outra filha passou a se sentir
culpada pelo desaparecimento da irmã, já que o fato ocorreu em um momento de
distração do pai devido a um acidente provocado por ela. Inicia-se, então, o
processo de “cura” e da sua aproximação a Deus.
No
filme, Deus, ou Papai, apresenta-se na figura de uma mulher negra (Octavia
Spencer) e isso, foi esclarecido pela própria personagem. Tendo o menino Mack sofrido horrores nas mãos
do pai, muito provavelmente haveria rejeição se “Deus” tivesse se apresentado
como homem. Ao contrário, apresentou-se como mulher de acordo com as suas
lembranças de infância, daquela vizinha que o acolheu nos momentos de
sofrimento e dor.
Nesse
contato com Deus, Mack questionou muito, revoltou-se, mas foi dado a ele o
poder de escolha (livre arbítrio) de se curar ou voltar para casa e continuar
vivendo sua tristeza e sua culpa. Interessado no desfecho do que estava lhe
acontecendo, resolveu ficar. E Deus lhe apresentou a cura através do perdão.
Ele precisou depurar suas dores através do perdão bem entendido. E somente
depois de perdoar o próprio pai e o assassino de sua filha é que conseguiu se
libertar dos traumas e se transformar em uma pessoa mais leve.
Coincidentemente,
assisti ao filme após ter recebido de uma grande amiga um vídeo de Rossandro
Klinjey falando sobre o mesmo assunto, o perdão, que vale a pena assistir,
basta acessar através do link: https://youtu.be/85-bE7ywbFA.
Importante
também ressaltar que a esposa de Mack, Nan (Radha Mitchell), que tinha mais
intimidade com Deus, não sofreu tanto com o desaparecimento da filha. Sofreu
mais com o estado em que o marido se encontrava e que estava, aos poucos,
destruindo a família.
A
mensagem que absorvi do filme, e que acredito que muitos não irão compreender e
achar o filme ruim, foi:
1) A
de que somos eternos, o que qualquer religião cristã afirma, embora o filme não
seja de cunho religioso. A morte do corpo físico não nos destrói e permanecemos
sendo uma individualidade, conforme afirma o Espiritismo. Mack pôde ver o
estado espiritual em que se encontrava sua filha, e isso o confortou. Teve
contato também com a visão das criaturas, filhas de Deus, não como pessoas, mas
como cores, energias, vibrações e. dentre elas, surgiu seu pai, momento em que
puderam se perdoar, reciprocamente.
2) O
poder do perdão na cura de nossas mazelas, pois enquanto não perdoamos e não
deixamos o passado no passado, permanecemos sofrendo. O perdão não significa
esquecer o mal que nos fizeram, mas deixa-lo no passado, onde é seu lugar, para
prosseguirmos com a nossa vida. Com o perdão, mais do que libertar o nosso
ofensor, libertamos a nós mesmos.
Por que temos
tanta dificuldade em entender Deus e também para entender a mensagem contida
nos evangelhos?
A nossa visão
materialista de Deus, quando o transformamos numa figura cheia dos nossos defeitos
e com sentimentos próprios da imperfeição humana, nos faz crer num deus injusto.
Em primeiro
lugar, precisaríamos admitir que somos eternos, que a passagem pela roupagem
física representa bem menos do que uma fração de segundo perante a eternidade e
que esse pequeno lapso de tempo em que vivemos na Terra não seria suficiente
para determinar a nossa condenação ao inferno ou ao céu, que aliás não passam
de estados de alma, trazendo à tona que somente através da reencarnação
poderíamos assegurar uma justiça igualitária que garantiria a todos a
oportunidade de corrigirem seus erros. Deus ama todas as suas criaturas, mesmo
as que estão em erro, pois como afirmou o Mestre Nazareno em Matheus 18:10-14,
o bom pastor vai atrás da única ovelha que se perdeu, a fim de resgatá-la, numa
demonstração de que nenhuma ovelha confiada a ele se perderá. Portanto, seria
um contrassenso, afirmar que por uma única vida de erros estaríamos condenados
ao inferno eterno e que não teríamos nunca a oportunidade de, através do arrependimento,
resgatarmos as nossas dívidas. Toda a humanidade terrestre estaria condenada a
isso, pois não há uma alma sequer, aqui neste planeta que não tenha cometido ao
menos um erro, bem como não seria justo o simples fato de arrepender-se ser
suficiente para livrá-lo da condenação eterna, sem que fosse possível recolocar
as coisas no lugar. Seria injusto, principalmente com aqueles que procuraram
pautar suas vidas pelo caminho ca correção. Somente a reencarnação seria capaz
de propiciar essa oportunidade.
Muitas
pessoas de outros entendimentos
religiosos poderiam afirmar que é um absurdo a Lei da Reencarnação, mas essas
mesmas pessoas afirmariam que creem no Deus do impossível e que esse mesmo Deus
pode fazer com que, na Ressurreição, a alma possa retornar a um corpo já
decomposto pela natureza, onde seus elementos já foram utilizados para
constituir novos organismos, levantando-se da tumba, como verdadeiros zumbis,
para retornarem à vida, mais uma vez, apenas com a visão materialista da
ressureição. Se Deus é o Deus do Impossível, por que não poderia, através da
geração de um novo corpo no ventre materno, destiná-lo a reencarnação de um
espírito que necessita de uma nova oportunidade para corrigir seus erros?
Mas, voltando
ao foco do filme, poucas pessoas conseguirão entender a mensagem que foi
deixada se não analisarem afastados do preconceito religioso. Ainda existem
pessoas que acreditam que se tocarem o disco da Xuxa de trás para frente
ouvirão uma mensagem do demônio. Então, se o preconceito religioso ficar focado
no fato de que Deus foi representado no filme pela figura de uma mulher, embora
em determinado momento se apresentou também na forma masculina, não
conseguiremos captar a mensagem do filme, onde mostra que Deus se apresenta
para nós da forma em que temos capacidade de entender e aquela foi a maneira de
Mack conhecer Deus.
A Cabana
mostra que a chave para o personagem em conflito se libertar de seu sofrimento,
adquirindo uma nova perspectiva de vida, transformando-se numa pessoa melhor,
mais confiante, alegre e bem-disposta foi O PERDÃO. E me perdoem os religiosos
que acham que a mensagem do filme é perigosa, pois não consigo perceber onde há
o perigo em disseminar a atitude do perdão, sobretudo para quem se diz cristão.
São palavras do Cristo, contidas em Matheus 5:44-48:
44 Eu, porém, vos digo: Amai a
vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e
orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso
Pai que está nos céus;
45 Porque faz que o seu sol se
levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
46 Pois, se amardes os que vos amam,
que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
47 E, se saudardes unicamente os
vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
48 Sede vós pois perfeitos, como é
perfeito o vosso Pai que está nos céus.
Para mim, valeu a pena. Saí do cinema
refletindo muito sobre como tenho conduzido minhas escolhas.
Paz e Luz
Ainda não assisti ao filme" mas já li o livro e sou fã incondicional, pois a mensagem q o livro passa é muito profunda e totalmente em acordo com td q aprendi e sinto como verdade 😘😘
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